Julho Amarelo alerta para hepatites virais, que já somam mais de 826 mil casos no Brasil


Redação 28/07/2026

O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça-feira (28), reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais, doenças que costumam evoluir de forma silenciosa e podem causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A data marca o ponto alto da campanha Julho Amarelo, instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019.

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As hepatites virais provocam inflamação no fígado e são causadas pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos mais comuns são A, B e C. Segundo o hepatologista Adriano Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), o fígado pode permanecer inflamado durante anos sem apresentar sintomas, dificultando o diagnóstico precoce.

Quando surgem, os sinais costumam indicar estágios mais avançados da doença e incluem pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal, coceira, fadiga, mal-estar e perda de apetite. Sem tratamento, a infecção pode evoluir para formas crônicas e aumentar o risco de insuficiência hepática, câncer e até da necessidade de transplante.

Especialistas destacam que a vacinação contra as hepatites A e B, a realização de testes para hepatites B e C, o uso de preservativos e o não compartilhamento de objetos perfurocortantes, como agulhas, seringas, alicates, lâminas de barbear e escovas de dentes, são as principais formas de prevenção.

A recomendação é que toda pessoa faça pelo menos uma vez os exames para hepatites B e C, especialmente indivíduos com mais de 40 anos ou pertencentes a grupos de maior risco.

Durante a gestação, o diagnóstico precoce também é considerado essencial. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) orienta que gestantes realizem exames de sangue no pré-natal para detectar hepatites B e C e reduzir o risco de transmissão do vírus para o bebê. Entre as hepatites que podem ocorrer na gravidez, apenas a hepatite B possui vacina.

A Sociedade Brasileira de Hepatologia alerta ainda para desafios como a baixa cobertura vacinal, o número insuficiente de diagnósticos, o acesso limitado à testagem, as desigualdades regionais e o abandono do tratamento.

Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 826.292 casos da doença entre 2000 e 2024. A hepatite C representa 41,5% das notificações (342.328 casos), seguida pela hepatite B, com 302.351 registros (36,6%), e pela hepatite A, com 174.977 casos (21,2%). O levantamento também contabiliza 4.722 casos de hepatite D e 1.914 de hepatite E.

No mesmo período, foram registrados 49.999 óbitos por causas básicas relacionadas às hepatites virais e outras 45.959 mortes em que a doença esteve associada ao óbito.

As formas de transmissão variam conforme o tipo do vírus. As hepatites A e E são transmitidas principalmente pelo consumo de água ou alimentos contaminados e também por práticas sexuais com contato fecal-oral. Já as hepatites B, C e D são transmitidas pelo contato com sangue e outros fluidos corporais infectados, incluindo relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos perfurocortantes e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

A meta do Ministério da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública no Brasil até 2030, ampliando a vacinação, a testagem e o acesso ao tratamento.

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