Conflito entre EUA, Israel e Irã chega a seis meses com pressão econômica e impasse diplomático


Redação 28/08/2026

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã completa seis meses nesta sexta-feira (28), em um cenário bem diferente das expectativas iniciais de um conflito de curta duração. O presidente americano, Donald Trump, que anteriormente previa um desfecho em poucas semanas, agora afirma que não tem pressa para encerrar as hostilidades.

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A estratégia de Washington também começa a mudar. Depois de meses de operações militares, o governo americano passou a dar maior destaque à pressão econômica como forma de enfraquecer Teerã. Nesta semana, foi anunciada a chamada “Operação Economic Outcast”, iniciativa que pretende ampliar o isolamento financeiro do Irã e pressionar governos e empresas que mantenham relações comerciais com o país.

A mudança ocorre em meio a preocupações dentro dos Estados Unidos sobre o desgaste provocado pelo conflito. A redução dos estoques de munições após meses de operações militares passou a ser considerada uma questão de atenção, principalmente diante da necessidade de manter a capacidade de resposta americana em outras regiões do mundo.

Trump, entretanto, afirma que a ofensiva já provocou grandes danos ao governo iraniano. Segundo o presidente, as Forças Armadas, a economia e a estrutura de liderança do país foram fortemente atingidas.

A avaliação contrasta com a expectativa apresentada por Trump no início da guerra. Nesta semana, o presidente chegou a publicar nas redes sociais uma imagem produzida por inteligência artificial com a mensagem “missão cumprida”.

Bilhões em prejuízos

O conflito também provocou enormes perdas econômicas para os dois lados. Os custos para os Estados Unidos já ultrapassam US$ 37,5 bilhões, enquanto autoridades iranianas calculam que os danos diretos e indiretos ao país chegam a aproximadamente US$ 270 bilhões.

Nas primeiras semanas da ofensiva, ataques israelenses atingiram importantes estruturas do governo iraniano e provocaram a morte do então líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Apesar dos ataques e das perdas, o Irã ainda mantém capacidade de exercer pressão sobre uma das principais rotas de transporte marítimo do mundo: o Estreito de Ormuz.

Tráfego pelo Estreito de Ormuz despenca

Trump afirmou na quinta-feira (27) que o estreito continua aberto e informou que 24 embarcações haviam atravessado a passagem no dia anterior. O número, porém, representa uma queda expressiva em relação ao fluxo registrado antes da guerra, quando aproximadamente 130 navios passavam diariamente pelo local.

O controle e a movimentação na região permanecem entre os principais pontos de tensão do conflito, devido à importância do estreito para o transporte internacional de petróleo e outras commodities.

Enquanto isso, esforços diplomáticos continuam. Catar e Paquistão participam das tentativas de encontrar uma saída para a crise. O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, esteve em Teerã para discutir uma proposta envolvendo o Irã e Omã com o objetivo de ampliar novamente a circulação de embarcações pelo estreito.

Trump, entretanto, não demonstra o mesmo interesse em retomar o acordo preliminar discutido em junho. A proposta previa a reabertura do Estreito de Ormuz e negociações relacionadas ao programa nuclear iraniano, mas acabou fracassando posteriormente.

Washington aposta no cerco econômico

O presidente americano defende que o bloqueio e as medidas econômicas estão produzindo resultados. A Casa Branca pretende aumentar o custo das relações comerciais com o Irã e pressionar países que continuam negociando com Teerã.

Especialistas, contudo, estão divididos sobre a capacidade dessa estratégia de provocar uma mudança rápida no comportamento iraniano.

Aarathi Krishnan, da RAKSHA Intelligence Future, considera que os Estados Unidos podem estar subestimando a capacidade de resistência do Irã. O país passou décadas desenvolvendo mecanismos para contornar sanções internacionais, incluindo a comercialização de petróleo com descontos e o uso de redes alternativas de transporte e financiamento.

Na avaliação de Richard Goldberg, que atuou como assessor para assuntos relacionados ao Irã no Conselho de Segurança Nacional durante o primeiro mandato de Trump, uma ofensiva econômica mais abrangente poderia colocar Teerã diante de uma situação sem precedentes.

Até o momento, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, fez advertências para que outros países reduzam suas relações comerciais com o Irã, mas ainda não anunciou novas sanções secundárias.

A China, principal parceiro comercial do Irã e importante compradora de petróleo iraniano, criticou a possibilidade de novas medidas americanas e afirmou ser contrária a sanções unilaterais.

Questionado sobre a possibilidade de Washington atingir bancos chineses, Trump deixou aberta a possibilidade de novas ações, afirmando que o governo não precisa anunciar antecipadamente todas as medidas que pretende adotar.

Após seis meses de conflito, o cenário permanece marcado por perdas militares e econômicas, dificuldades diplomáticas e uma crescente aposta de Washington em medidas de pressão financeira para tentar forçar o Irã a ceder.

 

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