Biodiesel ganha força em MS e abre novas oportunidades para produtores de soja


Redação 28/08/2026

O crescimento da produção de biodiesel em Mato Grosso do Sul começa a aproximar ainda mais o campo da indústria e pode abrir novas alternativas de negócio para os produtores de soja. Dados analisados pela equipe econômica da Aprosoja/MS mostram que o estado produziu 31,159 milhões de litros de B100 entre janeiro e junho de 2026, volume 32,4% superior aos 23,536 milhões de litros registrados no mesmo período do ano passado.

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Com esse resultado, Mato Grosso do Sul ocupa atualmente a 7ª colocação entre os estados brasileiros na produção do combustível.

O chamado B100 corresponde ao biodiesel em sua forma pura, sem a adição de diesel de origem fóssil. No país, os óleos vegetais estão entre as principais matérias-primas utilizadas na fabricação. Em Mato Grosso do Sul, a soja tem papel predominante, respondendo por 77,38% dos insumos empregados pelas indústrias.

Indústria amplia mercado para a soja

O estado possui três unidades de produção de biodiesel em funcionamento: a Cargill, em Três Lagoas; a Delta Biocombustíveis, em Rio Brilhante; e a Lar Cooperativa Agroindustrial, em Caarapó.

Para os agricultores, a expansão dessas plantas representa a criação de uma demanda adicional dentro da própria cadeia produtiva da soja. O óleo extraído do grão passa a ter ainda mais importância, fortalecendo a ligação entre produção agrícola, processamento industrial e mercado de combustíveis.

A expectativa é que essa demanda continue aumentando nos próximos anos. O planejamento previsto na legislação brasileira estabelece uma elevação gradual da mistura de biodiesel ao diesel, saindo do atual B15 e chegando ao B20 até 2030.

Com isso, a necessidade de matérias-primas de origem vegetal tende a crescer, criando um cenário favorável para produtos derivados da soja.

Uso do B100 nas propriedades

Além de fornecer matéria-prima para as usinas, o produtor rural também pode avaliar a utilização do biodiesel puro em máquinas, veículos e equipamentos utilizados nas atividades agrícolas.

Mudanças recentes na legislação facilitaram esse processo. Nas situações previstas pelas novas regras, o uso voluntário de B100 em atividades do setor agropecuário deixou de depender de uma autorização prévia da ANP, passando a exigir comunicação eletrônica.

Apesar das possibilidades, o combustível ainda exige atenção aos custos. De acordo com a análise da Aprosoja/MS, para quem compra o B100 pronto no mercado, o gasto por quilômetro rodado pode ficar entre 20% e 30% acima do registrado com o B15, dependendo dos preços e do consumo dos veículos.

Esse cenário pode ser diferente para empresas que produzem o próprio biodiesel ou possuem acordos específicos de fornecimento.

Produtor pode negociar novos modelos

Na avaliação do analista de Economia da Aprosoja/MS, Raphael Gimenes, a expansão do setor pode fazer com que o agricultor passe a participar de modelos comerciais mais próximos da indústria.

“A integração com usinas e cooperativas pode permitir novos modelos de contrato, fornecimento de matéria-prima e valorização de atributos relacionados à sustentabilidade. A presença de três plantas industriais e o crescimento da produção estadual formam uma estrutura que pode favorecer essa aproximação”, afirmou.

Segundo o analista, já existem no Brasil experiências envolvendo a utilização de biodiesel puro em operações agrícolas e de transporte. Projetos desenvolvidos por grandes empresas também demonstraram a possibilidade de utilização do combustível em diferentes tipos de equipamentos e atividades.

Para o produtor sul-mato-grossense, a recomendação é analisar as alternativas de acordo com o tamanho da propriedade, estrutura disponível e proximidade das unidades industriais.

Além de representar uma opção energética, o avanço do B100 pode contribuir para ampliar a demanda por derivados da soja e criar novas formas de negociação entre agricultores, cooperativas e usinas.

CBios também entram nas negociações

Outro aspecto que pode gerar receita adicional está relacionado aos Créditos de Descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio.

A legislação passou a permitir que produtores rurais participem da receita gerada pelos CBios das usinas que utilizam sua matéria-prima. Entretanto, as condições variam conforme a cultura.

No caso da cana-de-açúcar, existe um percentual mínimo estabelecido em lei. Para soja e milho, por outro lado, não há uma porcentagem mínima obrigatória. O valor pode ser definido por meio de negociação entre produtor e indústria.

Dessa forma, contratos de fornecimento de soja podem incluir mecanismos de participação na receita dos CBios, funcionando como uma espécie de remuneração adicional pela matéria-prima e por informações relacionadas ao manejo e à produção.

A participação, porém, não ocorre automaticamente. Apenas utilizar B100 dentro da propriedade não garante ao agricultor o recebimento de CBios. O benefício está associado ao fornecimento da matéria-prima para uma usina e à existência de um acordo contratual que estabeleça o repasse.

Com o aumento da produção de biodiesel em Mato Grosso do Sul, a tendência é de que novas formas de integração entre produtores e indústria ganhem espaço, especialmente em uma cadeia cada vez mais ligada à sustentabilidade e à redução das emissões de carbono.

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