Médica é presa por engano em aeroporto de Campo Grande após homonímia e consegue liberdade

Redação 31/08/2026
A médica Ana Paula Nunes dos Santos, de Dourados, passou por uma situação inesperada ao ser presa pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Campo Grande. A prisão ocorreu no dia 4 de agosto, após ela ser confundida com outra mulher que possui o mesmo nome.
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Ana Paula estava retornando de férias acompanhada do marido e da filha, de apenas seis meses, quando foi abordada pelos agentes. Segundo o relato da médica, ela tentou esclarecer imediatamente que havia ocorrido um engano, mas acabou sendo levada para a delegacia.
“Eu insisti que era a pessoa errada. Entrei em desespero porque sabia que não tinha cometido nenhum crime. Fui separada da minha bebê e do meu esposo e levada para a delegacia”, contou.
Após permanecer duas noites detida, Ana Paula passou por audiência de custódia e foi liberada mediante o uso de tornozeleira eletrônica. De volta a Dourados, ela procurou atendimento na Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.
Dados diferentes comprovaram o engano
Durante a análise do processo, a Defensoria identificou que havia duas mulheres com o mesmo nome relacionadas à ação criminal. Apesar da coincidência, os dados pessoais eram distintos.
A médica nasceu em 1999 e possui CPF, filiação e outras informações diferentes das pertencentes à mulher que realmente havia participado do processo criminal e apresentado defesa.
Também foi constatado que Ana Paula nunca havia sido citada pela Justiça, apresentado defesa ou participado da ação penal. Ela só tomou conhecimento da existência do processo no momento em que foi presa no aeroporto.
“Quando fui atendida na Defensoria de Dourados, senti um alívio. Eles abriram o processo, verificaram minha identificação e perceberam que se tratava de outra pessoa. Até então, eu estava angustiada por pagar por algo que não fiz”, relatou.
Defensoria recorreu à Justiça
Depois de confirmar a confusão, a Defensoria Pública ingressou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. O pedido buscava não apenas a revogação da prisão, mas também o fim das medidas restritivas impostas à médica e a retirada da tornozeleira eletrônica.
A instituição também solicitou a correção dos registros relacionados ao processo, com o objetivo de impedir que Ana Paula volte a ser alvo de uma prisão decorrente do mesmo erro.
Segundo o defensor Lucas Colares Pimental, a própria documentação do processo permitiu comprovar que se tratava de duas pessoas distintas.
“O próprio processo mostrava que eram duas pessoas diferentes. A Ana Paula, atendida pela Defensoria, nunca foi citada e nunca apresentou defesa naquela ação. A comparação dos dados pessoais permitiu identificar que a pessoa que participou do processo era outra mulher com o mesmo nome”, explicou.


