Após 7 horas de negociação, família encerra longa disputa por patrimônio no TJMS

Redação 18/09/2026
Herdeiros viajaram da Bolívia para participar da audiência, que envolveu fazendas, imóveis e terras avaliadas em uma sucessão marcada por anos de conflitos.
Uma disputa familiar e patrimonial que poderia se arrastar por décadas chegou ao fim depois de mais de sete horas de negociações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O acordo foi construído na quarta-feira (16), após uma extensa audiência de conciliação que reuniu herdeiros, inventariante e advogados em torno de uma solução consensual para um dos casos de sucessão de maior complexidade em discussão no Judiciário estadual.
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A audiência começou às 9h e só terminou às 16h25. Foram horas de conversas, ajustes e tentativas de aproximar os interesses das partes até que, finalmente, os envolvidos chegaram a um consenso.
Realizada na sala de reuniões da Presidência do TJMS, a audiência foi conduzida pelo desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, relator de um agravo de instrumento relacionado ao processo. Aproximadamente 15 pessoas participaram das tratativas.
A dimensão do patrimônio ajuda a explicar a complexidade do conflito. O espólio reúne imóveis urbanos em Dourados, propriedades rurais em Mato Grosso e seis fazendas que, juntas, chegam a quase 9 mil hectares. Também integra as negociações uma extensa área de terras situada na Bolívia.
Para participar da audiência, alguns dos herdeiros viajaram de Santa Cruz de La Sierra, demonstrando a dimensão internacional do processo e a importância do acordo para os envolvidos.
Um acordo depois de horas de impasse
O entendimento alcançado durante a audiência colocou fim às demandas relacionadas à partilha e às discussões envolvendo posse e domínio dos imóveis.
Com o acordo, o inventário será convertido em arrolamento sumário, procedimento que permitirá a homologação da partilha amigável entre os herdeiros.
Na prática, a conciliação evitou que uma disputa envolvendo patrimônio de grandes proporções e relações familiares permanecesse por muitos outros anos em tramitação judicial.
O desfecho ganhou ainda um capítulo simbólico dentro do próprio Tribunal.
Do conflito ao brinde na Presidência
A movimentação de várias pessoas próxima à sala da Presidência chamou a atenção do presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan. Ao saber que, depois de horas de negociação, as partes haviam finalmente chegado a um acordo, ele decidiu convidar os participantes para um brinde.
O gesto marcou o encerramento de uma disputa que durante anos colocou familiares em lados opostos e abriu espaço para uma nova etapa na relação entre os envolvidos.
“Num momento em que o Judiciário é exposto a tantas críticas, a melhor resposta para a sociedade é esse tipo de iniciativa, que celebra não só o acordo, mas o reinício da união em família. Estou gratificado com essa iniciativa e com esse resultado”, afirmou Pavan.
Como parte dos herdeiros havia viajado da Bolívia para Mato Grosso do Sul, o presidente também se dirigiu aos participantes em espanhol.
Magistrado destaca papel dos advogados
Dorival Pavan também ressaltou a atuação do desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva na condução da audiência e lembrou que o magistrado já participou de outras iniciativas de conciliação de grande porte na 4ª Câmara Cível.
Para Luiz Tadeu, porém, o resultado não seria possível sem a disposição das próprias partes e de seus advogados em buscar uma solução negociada.
O desembargador fez questão de registrar a atuação dos advogados Ewerton Araújo de Brito, de Dourados, e Rômulo Rodrigo Lemos Ferreira e Saulo José de Oliveira, de Brasília. O advogado Osvaldo Feitosa de Lima, também de Dourados, participou das tratativas.
Segundo o magistrado, os profissionais e seus clientes conduziram as negociações com ética, lealdade e disposição para o diálogo.
Mais do que uma decisão judicial
O acordo representa mais do que o encerramento de processos relacionados à herança. Depois de anos de disputas envolvendo patrimônio, posse, domínio e relações familiares, as partes conseguiram construir uma solução sem esperar que o conflito se prolongasse indefinidamente nos tribunais.
O caso também evidencia o papel da conciliação em processos complexos: em vez de uma decisão imposta, os próprios envolvidos participaram da construção do resultado.
Depois de sete horas de discussões, o desfecho não foi apenas uma assinatura em um acordo judicial. Foi o encerramento de uma longa disputa familiar e a abertura de uma nova possibilidade para que os envolvidos possam seguir em frente com a partilha do patrimônio e, principalmente, com a reconstrução da convivência.


