Dólar sobe e fecha acima de R$ 5,19 com pressão externa e cenário eleitoral

Redação 24/09/2026
O dólar voltou a subir nesta quinta-feira (24) e encerrou o dia cotado a R$ 5,1937, com alta de 0,49% frente ao real. Durante o pregão, a moeda chegou a atingir R$ 5,2019.
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A valorização, no entanto, foi menor que a registrada na quarta-feira (23), quando o dólar avançou 1,28%. Somados os dois pregões, a alta chega a 1,78%. Em setembro, a moeda acumula valorização de 0,26%.
O movimento foi influenciado principalmente pelo cenário internacional. A força da economia dos Estados Unidos, combinada com a alta do petróleo, aumentou as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, poderá manter uma política de juros mais rígida.
O petróleo também pressionou os mercados. O barril do Brent para dezembro subiu 3,41%, chegando a US$ 106,60, acumulando alta de quase 4% na semana e superior a 18% no mês.
Segundo a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, a valorização do dólar no exterior e a elevação dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos estão entre os principais fatores que explicam a pressão sobre as moedas de países emergentes.
Cenário político também movimentou o mercado
No Brasil, investidores acompanharam ainda os desdobramentos da corrida presidencial. A divulgação de informações sobre contatos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, ocorreu durante o período de maior valorização do dólar no pregão.
De acordo com informações divulgadas pelo Estadão, Flávio Bolsonaro teria tentado contato telefônico com Vorcaro quatro dias antes da prisão do banqueiro, ocorrida em novembro do ano passado.
Para Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, o mercado também reduziu parte do otimismo observado anteriormente em relação ao desempenho da oposição nas eleições, diante da estabilidade das intenções de voto de Flávio Bolsonaro nas pesquisas mais recentes.
Indicadores dos EUA reforçam pressão sobre juros
Nos Estados Unidos, novos indicadores econômicos contribuíram para fortalecer a percepção de que a atividade segue aquecida.
Os pedidos semanais de auxílio-desemprego ficaram abaixo das expectativas, enquanto as vendas de novas moradias em agosto superaram as projeções.
Dirigentes regionais do Federal Reserve também adotaram um tom mais firme em relação à inflação. Beth Hammack, do Fed de Cleveland, e Anna Paulson, do Fed da Filadélfia, defenderam atenção ao comportamento dos preços.
O índice DXY, que acompanha o dólar em relação a uma cesta de seis moedas, subia 0,18% no fim da tarde, aos 101,274 pontos. O indicador chegou a 101,398 pontos durante o dia, no maior nível desde julho.
Com a combinação de petróleo em alta, juros americanos elevados e incertezas no cenário internacional e doméstico, o mercado de câmbio terminou a quinta-feira com o real novamente sob pressão.


