Santa Casa terá nova direção após afastamento de 20 integrantes; gestor deve montar equipe em 48 horas


Redação 27/09/2026

A Santa Casa de Campo Grande deverá ter um novo organograma definido até a próxima segunda-feira (28), após uma decisão judicial afastar integrantes da diretoria e do conselho de administração da instituição.

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A determinação foi assinada na quinta-feira pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos. Ao todo, 19 membros da estrutura administrativa e a supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) foram afastados. O setor ficará sob gestão provisória.

Entre os nomes retirados dos cargos estão Alir Terra, que ocupava a presidência e permanece presa; Heitor Miguel Scheibeler, então presidente em exercício; Ivan Araújo Brandão, vice-presidente; Valdir Osvaldo Junior, diretor-secretário; Marcos Alceu da Silva Villalba, diretor de finanças; e Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto, que também foi preso no início do mês.

Heitor Rodrigues Freire, que havia sido anunciado oficialmente como futuro presidente da Santa Casa e assumiria o cargo na segunda-feira, também está entre os afastados do conselho de administração.

Novo gestor terá 48 horas para montar equipe

Com a intervenção determinada pela Justiça, Luiz Alberto Hiroki Kanamura foi nomeado gestor provisório da Santa Casa pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Conforme apuração do Correio do Estado, Kanamura deverá escolher os integrantes da nova diretoria corporativa em até 48 horas. A expectativa é de uma reestruturação significativa na atual composição administrativa.

Após a decisão judicial, o organograma que anteriormente apresentava os nomes de diretores e conselheiros deixou de estar disponível no site da instituição. No local, agora aparece um aviso informando que a página está em manutenção.

Além do afastamento, a Justiça determinou que os integrantes retirados dos cargos não sejam reconduzidos em futuras eleições. Eles também estão proibidos de acessar as dependências do complexo hospitalar e da Operadora Santa Casa Saúde Ltda.

Gestão terá prestação de contas mensal

Durante o período de gestão provisória, Kanamura deverá apresentar mensalmente à Justiça informações sobre a situação administrativa, contábil e operacional da instituição.

Os relatórios deverão detalhar a utilização de recursos públicos e privados, despesas realizadas, contratos firmados ou mantidos, além das medidas adotadas para reorganizar a administração e garantir a continuidade dos serviços de saúde.

A decisão judicial também estabelece 17 atribuições para o novo gestor. Entre elas estão a negociação com fornecedores, credores e devedores, o remanejamento de recursos, a autorização de despesas, a reestruturação de equipes e serviços e a adoção de medidas administrativas e financeiras consideradas urgentes.

Renovação de contrato com a Prefeitura é um dos desafios

Entre as determinações está a necessidade de avançar na renovação do contrato de prestação de serviços com a Prefeitura de Campo Grande, com participação do Governo de Mato Grosso do Sul.

O contrato original terminou oficialmente em setembro do ano passado e vem sendo prorrogado sucessivamente. A última extensão ocorreu em 1º de agosto, por mais 90 dias.

A definição dos valores também é um dos principais pontos de negociação. A Santa Casa reivindica que o repasse mensal seja elevado de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões. O poder público, por sua vez, sustenta que o valor atualmente destinado é suficiente para cobrir as despesas da instituição.

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