Dólar fecha a R$ 5,17 e registra queda após expectativas sobre disputa presidencial

Redação 30/09/2026
O dólar encerrou esta quarta-feira (30) em queda de 0,81%, cotado a R$ 5,1750, voltando a ficar abaixo de R$ 5,20 após dois pregões.
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O movimento ocorreu mesmo diante da recuperação parcial da moeda norte-americana no exterior e da elevação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos durante a tarde.
No mercado brasileiro, o real apresentou o melhor desempenho entre as principais moedas com maior liquidez.
Segundo operadores do mercado financeiro, a valorização foi impulsionada pela possibilidade de entrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira, em meio às expectativas sobre a disputa presidencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Parte dos investidores avalia que uma eventual vitória da oposição poderia reduzir os prêmios de risco associados à situação fiscal do país.
No entanto, agentes do mercado ressaltam que o movimento está relacionado às expectativas eleitorais, e não a uma mudança já confirmada no cenário político.
Após atingir a mínima de R$ 5,1643 ao longo do dia, o dólar à vista terminou a sessão em R$ 5,1750. Pela manhã, a disputa pela definição da taxa Ptax de encerramento de setembro e do terceiro trimestre também pode ter contribuído para ampliar as oscilações cambiais.
No acumulado de setembro, a moeda norte-americana registrou recuo de 0,10%, após ter avançado 2,16% em agosto. Já no terceiro trimestre, o dólar apresentou valorização de 0,23%.
Disputa eleitoral entra no radar dos investidores
As expectativas em torno da eleição presidencial ganharam espaço nas avaliações do mercado financeiro. A percepção de uma disputa mais equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro passou a ser considerada por investidores na análise dos possíveis impactos sobre os ativos brasileiros.
Pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quarta-feira aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro.
Em um cenário de segundo turno, os números são de 43% para o presidente e 42% para o senador, configurando empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa.
Para o sócio-diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a diferença entre os candidatos pode influenciar a reação do mercado após o primeiro turno. Segundo ele, os modelos da instituição indicam a possibilidade de uma oscilação expressiva do câmbio após a eleição, embora esse cenário dependa dos resultados e das expectativas dos investidores.
Cenário internacional também influencia o câmbio
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,12% no fim da tarde, aos 101,499 pontos. Apesar da alta diária, o indicador acumulou valorização superior a 2% em setembro, levando o avanço no ano a aproximadamente 3,20%.
Durante a manhã, a moeda norte-americana perdeu força após dados de inflação dos Estados Unidos ficarem abaixo das expectativas. O resultado do índice de preços de gastos com consumo (PCE), referente a agosto, reduziu as apostas em um novo aumento dos juros pelo Federal Reserve, o banco central norte-americano, em outubro.
Segundo gestores ouvidos pelo mercado, a perspectiva de uma política monetária menos restritiva nos Estados Unidos tende a favorecer investimentos em ativos de maior risco, incluindo os brasileiros, e pode estimular a entrada de capital estrangeiro.
Fluxo estrangeiro apresenta saldo positivo na semana
Dados divulgados pelo Banco Central indicam que os investimentos estrangeiros em ativos domésticos voltaram a apresentar saldo positivo na semana de 21 a 25 de setembro. Nesse período, o canal financeiro, que inclui aplicações em ações e outros investimentos de portfólio, registrou entrada líquida de US$ 2,215 bilhões.
Considerando os demais componentes, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 3,054 bilhões na semana.
Apesar da melhora pontual, o saldo acumulado de setembro até o dia 25 continuava negativo em US$ 4,025 bilhões. Apenas o segmento financeiro registrava saída líquida de US$ 4,624 bilhões no período, indicando que a entrada recente de recursos ainda não havia revertido o resultado mensal.


