Cadeirante denuncia agressões e uso de spray de pimenta durante abordagem da PM em Campo Grande

Redação 03/10/2026
Um homem de 28 anos, paraplégico, afirma ter sido agredido por policiais militares durante uma abordagem ocorrida na madrugada de 20 de setembro, na Avenida Afonso Pena, nas proximidades da Praça Ary Coelho, na região central de Campo Grande. Após a ocorrência, ele foi levado para a Depac Cepol.
✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms
Segundo o rapaz, que preferiu não ter a identidade divulgada, ele dirigia pela avenida acompanhado da namorada quando se envolveu em uma colisão em um cruzamento próximo à praça. Conforme seu relato, o acidente não teria provocado grandes danos.
O motorista do outro veículo teria acionado a Polícia Militar, mas deixou o local antes da chegada da equipe. O rapaz afirma que, desde o início da abordagem, os policiais teriam adotado uma postura agressiva.
Ele conta que entregou a documentação solicitada e informou aos militares que era cadeirante. A cadeira de rodas, que estava no porta-malas, teria sido retirada pela namorada para que ele pudesse deixar o veículo.
Ainda segundo o relato, os policiais solicitaram que ele realizasse o teste do bafômetro. O homem afirma que se recusou ao procedimento e, depois disso, a abordagem teria se tornado mais violenta.
De acordo com ele, enquanto conversava por telefone com o advogado, teria recebido um tapa de um dos policiais. Na sequência, outros militares teriam tentado retirar o celular de sua mão.
O rapaz afirma ainda que foi algemado, atingido por spray de pimenta, retirado da cadeira de rodas e arrastado pelo chão antes de ser colocado dentro da viatura.
“Me derrubaram da cadeira, me arrastaram um pouco pelo chão e me jogaram na viatura”, relatou.
Homem diz que passou mal na delegacia
O rapaz também afirma que, durante a permanência na Depac Cepol, precisou utilizar uma sonda para atender às necessidades fisiológicas, mas teria sido impedido de ir ao banheiro.
Segundo ele, a situação provocou fortes dores e fez com que passasse mal. A namorada teria alertado os policiais sobre o estado de saúde dele, mas, conforme o relato, o atendimento teria demorado.
O homem afirma que começou a sentir fortes dores e chegou a perder a consciência. Posteriormente, uma equipe do Corpo de Bombeiros teria sido acionada e o encaminhado para a UPA do Coronel Antonino.
Na unidade de saúde, ele relata ter recebido medicação e atendimento médico. Depois da alta, retornou à delegacia para os procedimentos relacionados à ocorrência.
Ainda segundo o rapaz, posteriormente ele foi levado ao Tribunal de Justiça, onde passou por audiência. O juiz teria determinado sua liberação e informado sobre o encaminhamento da denúncia à Corregedoria.
Após deixar o local, o homem afirma ter procurado a Corregedoria-Geral da PMMS e sido encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), onde realizou exame de corpo de delito.
Versão apresentada pelos policiais é diferente
O boletim de ocorrência elaborado pelos militares apresenta uma versão diferente da relatada pelo homem.
Conforme o registro, a equipe participava da Operação Sentinela quando foi acionada por populares, que teriam informado que um Fiat Punto havia atingido outros veículos e seguia pela Avenida Afonso Pena em zigue-zague.
Os policiais afirmam que realizaram a abordagem e identificaram, segundo o documento, sinais de embriaguez no condutor. Ainda de acordo com o boletim, o homem teria confirmado o consumo de bebida alcoólica.
O registro aponta também que, enquanto aguardava a chegada de outras equipes, o rapaz teria desacatado os policiais e feito ameaças de agressão física.
Ainda conforme a versão registrada pelos militares, ele teria se recusado a entregar o celular quando solicitado e continuado a desafiar a equipe.
Diante da situação, os policiais deram voz de prisão. O boletim afirma que o homem teria resistido à abordagem, sendo necessário o uso de instrumento de menor potencial ofensivo para contê-lo.
Dentro do veículo, os militares relataram ter encontrado uma garrafa de uísque e duas garrafas de cerveja. O documento, porém, não especifica se as bebidas estavam cheias ou vazias.
PMMS afirma que uso da força segue protocolos
Procurada sobre o caso, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou que seus agentes seguem procedimentos operacionais padronizados e a legislação vigente.
Em nota, a corporação afirmou que o uso da força ocorre de maneira proporcional, técnica e escalonada, de acordo com as circunstâncias de cada ocorrência.
A PMMS também informou que denúncias ou pedidos de investigação envolvendo a conduta de policiais podem ser formalizados junto à Corregedoria-Geral da instituição, órgão responsável pela apuração dos fatos.
As versões apresentadas pelo rapaz e pelos policiais são divergentes, e a apuração dos órgãos competentes deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem e verificar eventuais responsabilidades.


