Explosões solares despertam alerta para possível chegada de material à Terra


Redação 07/10/2026

Três explosões solares de classe M foram registradas nas últimas 24 horas, encerrando um período de atividade moderada no Sol. Duas das erupções partiram da região ativa AR4549, uma área de manchas solares que apresentou rápida expansão e passou a concentrar uma configuração magnética considerada bastante complexa.

✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms

A mais intensa das três explosões, classificada como M1.8, atingiu o pico às 5h05 desta terça-feira (6), no horário de Brasília. O fenômeno provocou interrupções nas comunicações de rádio sobre o Mar Arábico, próximo à costa leste da Somália.

Após a erupção, observações identificaram um escurecimento na região da corona solar, um dos sinais que podem indicar a liberação de material para o espaço. Como a AR4549 estava posicionada de maneira favorável em relação à Terra, existe a possibilidade de que parte desse material esteja seguindo em direção ao planeta.

Até o momento, porém, não há confirmação sobre uma eventual chegada nem sobre a intensidade de um possível impacto. A situação deverá ser acompanhada nos próximos dias, principalmente porque a região ativa ainda apresenta condições para produzir novas explosões, inclusive eventos de classe X, os mais intensos da escala utilizada pelos cientistas.

Sol está no Ciclo Solar 25

A atividade observada está relacionada ao ciclo magnético do Sol, que passa por períodos de aproximadamente 11 anos de maior e menor intensidade.

Atualmente, o astro está no Ciclo Solar 25, o 25º ciclo acompanhado de forma sistemática desde o início dos registros modernos. Durante os períodos de maior atividade, aumenta também o número de manchas solares na superfície.

Essas manchas estão associadas a regiões de forte concentração de campos magnéticos. Quando essas estruturas se reorganizam de maneira repentina, podem liberar enormes quantidades de energia na forma de explosões solares e também lançar grandes volumes de plasma ao espaço, fenômeno conhecido como ejeção de massa coronal (CME).

Reconexão magnética libera energia

Segundo a física Adriana Valio, professora titular da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pesquisadora do Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica Mackenzie (CRAAM), o processo está relacionado à chamada reconexão magnética.

Nesse fenômeno, as linhas do campo magnético se reorganizam rapidamente, convertendo parte da energia armazenada em radiação, aquecimento do plasma e aceleração de partículas carregadas.

As explosões solares são classificadas em cinco categorias principais: A, B, C, M e X. A escala é baseada na intensidade dos raios X emitidos durante as erupções, sendo que cada classe representa uma potência dez vezes maior que a anterior.

As explosões de classe M são consideradas de intensidade moderada, mas ainda podem provocar efeitos sobre a Terra, especialmente em sistemas de comunicação por rádio.

Já os eventos de classe X representam as erupções mais intensas e podem desencadear perturbações mais significativas no ambiente espacial próximo ao nosso planeta.

Por enquanto, os especialistas acompanham a evolução da AR4549 para determinar se houve, de fato, uma ejeção de massa coronal direcionada à Terra e qual seria o eventual impacto caso esse material alcance o campo magnético terrestre.

Compartilhe