Trabalho infantil afasta adolescentes da escola e expõe rotina de longas jornadas


Redação 16/10/2026

A combinação entre trabalho precoce e dificuldades para permanecer na escola atinge adolescentes brasileiros e evidencia os desafios para garantir a educação durante essa fase da vida. Em 2025, apenas 79,6% dos jovens de 16 e 17 anos em situação de trabalho infantil frequentavam instituições de ensino, enquanto o índice era de 89,6% entre os brasileiros da mesma idade. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta sexta-feira (16).

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A diferença de dez pontos percentuais entre os dois grupos foi a mais expressiva entre as faixas etárias analisadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

Entre crianças de 5 a 13 anos, mais de 99% frequentavam a escola, independentemente de estarem ou não em situação de trabalho infantil. Já entre adolescentes de 14 e 15 anos, a frequência escolar era de 95% para aqueles submetidos ao trabalho infantil, diante de 98,1% na população geral dessa idade.

Quando consideradas todas as crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, o percentual dos que frequentavam a escola chegava a 86,9% entre aqueles em situação de trabalho infantil. No conjunto da população da mesma faixa etária, o índice era de 97,5%.

Quase metade dos adolescentes trabalha 25 horas ou mais por semana

Além das diferenças na escolarização, a pesquisa mostra que parte significativa das crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil enfrenta jornadas prolongadas. Em 2025, 21,4% trabalhavam 40 horas semanais ou mais.

O cenário era ainda mais expressivo entre jovens de 16 e 17 anos: 29,6% cumpriam jornadas de pelo menos 40 horas por semana. Outros 20% trabalhavam entre 25 e 39 horas semanais. Somados, os grupos representam quase metade dos adolescentes dessa idade submetidos a jornadas de 25 horas ou mais.

Entre os mais novos, a carga horária era menor. Na faixa de 5 a 13 anos, 87,1% trabalhavam até 14 horas semanais. Entre crianças e adolescentes de 14 e 15 anos, o percentual nessa condição era de 43,3%.

Os números mostram que a relação entre trabalho infantil e frequência escolar varia conforme a idade, com diferenças mais acentuadas entre os adolescentes mais velhos. A conciliação entre as atividades profissionais e os estudos permanece um desafio para a garantia do direito à educação e ao desenvolvimento adequado de crianças e adolescentes.

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