Pediatras orientam pais a avaliar segurança de brinquedos com inteligência artificial

Redação 21/10/2026
Brinquedos que conversam, reconhecem preferências e respondem de maneira afetuosa estão ganhando espaço no mercado. Com a expansão desses produtos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou orientações para ajudar pais e responsáveis a avaliar os recursos de inteligência artificial (IA) e os possíveis impactos no desenvolvimento infantil.
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Esses dispositivos podem reconhecer voz e imagem, armazenar informações e adaptar respostas conforme as interações. Embora essas funcionalidades ampliem as possibilidades de brincadeira, especialistas recomendam atenção à privacidade, à segurança digital e à forma como a tecnologia é apresentada às crianças.
Privacidade e interação exigem atenção
Dependendo do modelo, os brinquedos podem utilizar microfones, câmeras e conexão com a internet para permitir conversas personalizadas. Por isso, a SBP orienta os responsáveis a verificar quais dados são coletados, como são armazenados e se podem ser compartilhados com terceiros.
Outro aspecto a considerar é a linguagem utilizada pelos dispositivos. Alguns simulam amizade, carinho e apoio emocional, o que torna importante explicar às crianças, de acordo com a idade, que estão interagindo com um sistema tecnológico, e não com uma pessoa.
O Unicef também acompanha as questões relacionadas aos chamados companheiros de inteligência artificial, ferramentas que simulam relacionamentos e mantêm conversas com crianças e adolescentes.
Embora existam preocupações sobre privacidade, exposição a conteúdos inadequados e possíveis vínculos emocionais excessivos, os efeitos dessas interações a longo prazo ainda precisam ser mais bem compreendidos.
O que observar antes de comprar
A SBP recomenda que pais e responsáveis avaliem se os recursos de inteligência artificial oferecem benefícios claros para a brincadeira e se as informações sobre o funcionamento do produto são transparentes.
Entre os principais cuidados estão conferir a indicação etária, verificar a necessidade de supervisão e observar se o brinquedo estimula a participação ativa da criança.
Também é importante consultar a política de privacidade, identificar quais informações são coletadas e verificar se existe a possibilidade de solicitar a exclusão dos dados. Recursos como publicidade, compras adicionais, assinaturas e criação de perfis também merecem atenção.
Quando as informações sobre segurança e tratamento de dados não estiverem disponíveis de forma clara, a orientação é considerar outra opção de brinquedo.
Equilíbrio no uso da tecnologia
A escolha também deve levar em conta a rotina da criança. Pais e responsáveis podem observar se o tempo dedicado ao brinquedo interfere no sono, na atividade física, na leitura, nas brincadeiras livres e na convivência familiar.
Fabricantes e fornecedores, por sua vez, devem apresentar informações acessíveis sobre o funcionamento dos dispositivos e as medidas de proteção adotadas.
A SBP destaca a importância de uma avaliação cuidadosa antes da compra, considerando a idade da criança, a privacidade e as características de cada produto. Como ainda existem dúvidas sobre os efeitos prolongados dessas tecnologias, a supervisão dos adultos e o acompanhamento da forma como a criança utiliza o brinquedo são medidas importantes.



