Real fecha em alta e dólar cai para R$ 5,02 impulsionado pelo petróleo

Redação 01/06/2026
O dólar encerrou o primeiro pregão de junho em queda frente ao real, mesmo em um cenário de aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e fortalecimento global da moeda norte-americana. Nesta segunda-feira (1º), a divisa norte-americana fechou cotada a R$ 5,0227, com recuo de 0,40%, após ter acumulado alta de 1,82% em maio. No acumulado de 2026, o dólar registra desvalorização de 8,5% em relação ao real.
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O principal fator que sustentou a moeda brasileira foi a forte valorização do petróleo, provocada pelo agravamento da crise entre Irã, Israel e o grupo Hezbollah. O governo iraniano anunciou a suspensão das negociações com os Estados Unidos após ataques israelenses no Líbano, elevando a percepção de risco nos mercados internacionais.
A reação inicial foi uma disparada nas cotações do petróleo. O barril do Brent chegou a ser negociado próximo de US$ 97 durante o dia, encerrando a sessão a US$ 94,98, com alta de 4,24%. Como o Brasil é exportador líquido da commodity, a valorização do petróleo tende a favorecer a entrada de dólares no país e fortalecer o real.
Segundo analistas do mercado financeiro, momentos de tensão internacional costumam produzir efeitos opostos sobre moedas emergentes. De um lado, o aumento da aversão ao risco leva investidores a buscar ativos considerados mais seguros, favorecendo o dólar. De outro, países exportadores de petróleo, como o Brasil, podem se beneficiar da alta da commodity.
Outro fator que ajudou a sustentar o real foi a expectativa de manutenção dos juros em níveis elevados no Brasil. A deterioração das projeções de inflação observada no Boletim Focus reforça a percepção de que o Banco Central poderá manter uma política monetária mais restritiva, o que aumenta a atratividade dos investimentos em renda fixa brasileira para investidores estrangeiros.
Enquanto o real apresentou desempenho positivo, o destaque entre as moedas emergentes ficou para o peso colombiano, que avançou mais de 2,5% após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no país.
No cenário internacional, investidores seguem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e aos próximos indicadores econômicos dos Estados Unidos, especialmente os dados do mercado de trabalho que serão divulgados nesta semana. A expectativa é que a combinação entre preços elevados do petróleo e atividade econômica resiliente possa influenciar as próximas decisões do Federal Reserve sobre os juros americanos.
Especialistas avaliam que, apesar da força recente do real, ainda existe espaço para oscilações no câmbio nos próximos meses, principalmente diante da possibilidade de uma postura mais rígida do banco central dos Estados Unidos e da continuidade das tensões geopolíticas globais.


