Denúncias de violência digital contra mulheres crescem 188% e chegam a 16,7 mil em 2026

Redação 23/06/2026
As denúncias de violência contra mulheres em ambientes digitais registraram aumento de 188,6% nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério das Mulheres nesta segunda-feira (22). Entre janeiro e maio, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias, contra 5.795 registradas no mesmo período do ano passado.
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O crescimento ocorre em meio à ampliação das formas de violência praticadas no ambiente virtual, incluindo ameaças, perseguição, chantagem, exposição indevida de imagens, humilhação, intimidação e controle de mulheres por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas digitais.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o aumento dos registros pode estar relacionado à redução da subnotificação dos casos. Segundo ela, o fortalecimento do atendimento e a maior confiança das vítimas no serviço têm contribuído para que mais mulheres denunciem as agressões.
Atendimento passa por atualização
Para adequar o Ligue 180 à nova realidade da violência digital, o Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República capacitaram cerca de 350 atendentes entre os dias 9 e 22 de junho.
De acordo com Ellen Costa, coordenadora-geral do Ligue 180, a central já recebia denúncias envolvendo crimes digitais, mas a atualização dos protocolos permitirá orientar melhor as vítimas sobre os procedimentos adequados em cada situação.
Além da capacitação, o formulário de atendimento foi reformulado para incluir categorias específicas de violência digital, ampliando o alcance do serviço para além dos casos previstos na Lei Maria da Penha.
Perfil das vítimas
Os canais do Ligue 180 registram, em média, quase 3 mil atendimentos por dia. Desse total, aproximadamente 30% correspondem a denúncias, enquanto os demais envolvem pedidos de informação e orientação.
A violência digital passou da sétima para a quinta posição entre os tipos de violência mais denunciados. Os dados de 2025 mostram que quase metade das vítimas era composta por mulheres negras. A faixa etária mais atingida foi a de 35 a 44 anos, responsável por 21,6% das denúncias.
Novo decreto fortalece proteção online
As mudanças seguem as diretrizes do Decreto nº 12.976/2026, que entrou em vigor na última sexta-feira e estabelece medidas de proteção às mulheres na internet.
Entre as determinações, estão regras para plataformas digitais responderem com mais rapidez a denúncias de violência online. O decreto prevê, por exemplo, prazo de até duas horas para a remoção de imagens íntimas divulgadas sem consentimento e equipara imagens manipuladas por inteligência artificial, conhecidas como “deep nudes”, às imagens reais para fins de proteção das vítimas.
Segundo Marina Pita, da Secretaria de Políticas Digitais da Presidência, a iniciativa busca garantir um ambiente digital mais seguro e assegurar que mulheres possam exercer plenamente sua liberdade de expressão sem sofrer violência ou intimidação.
Campanha nacional
Para ampliar a divulgação das novas medidas, o Ministério das Mulheres lançou a campanha


