Dólar dispara e fecha perto de R$ 5,20 com pressão externa e cautela sobre juros nos EUA

Redação 23/06/2026
O dólar voltou a ganhar força nesta terça-feira (23) e encerrou o dia próximo de R$ 5,20, refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais e as expectativas em torno dos próximos dados de inflação dos Estados Unidos.
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A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,1874, com alta de 0,89%, registrando o maior valor de encerramento desde o fim de março. No acumulado de junho, o dólar já sobe 2,87%, após também ter avançado em maio.
O movimento foi impulsionado principalmente pelo cenário externo. Investidores buscaram proteção na moeda americana diante da queda das ações de tecnologia e da possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos por mais tempo. Dados recentes da economia americana mostraram atividade acima do esperado, reforçando a percepção de que o Federal Reserve (Fed) pode adotar uma postura mais rígida no combate à inflação.
No Brasil, a divulgação da ata do Copom ajudou a esclarecer parte das dúvidas deixadas pela decisão mais recente sobre a Selic, mas também evidenciou o aumento das incertezas em relação aos próximos passos da política monetária. Analistas apontam que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua favorável ao real, embora a volatilidade tenha reduzido a atratividade das operações de carry trade.
Especialistas destacam ainda que fatores domésticos, como a aproximação do período eleitoral e o aumento das incertezas políticas, também contribuem para pressionar a moeda brasileira.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, avançou para os maiores níveis em mais de um ano. Ao mesmo tempo, indicadores de atividade econômica na Europa vieram abaixo das expectativas, ampliando o movimento de busca por segurança nos mercados.
Outro fator que limitou o desempenho do real foi a queda dos preços do petróleo. Como o Brasil é exportador da commodity, a desvalorização do barril reduz a entrada de dólares no país e acaba influenciando o câmbio. O petróleo Brent fechou o dia abaixo de US$ 77 por barril, acumulando forte recuo ao longo de junho.
Agora, os investidores acompanham a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos Estados Unidos, prevista para quinta-feira (25), considerado um dos principais indicadores de inflação observados pelo Fed.


