Tarifa dos EUA deve ter impacto reduzido em Mato Grosso do Sul, avalia economista


Redação 20/07/2026

O novo pacote de tarifas de importação anunciado pelos Estados Unidos gerou apreensão em diferentes segmentos da economia brasileira. Em Mato Grosso do Sul, porém, os efeitos da medida tendem a ser limitados, já que os principais produtos exportados pelo Estado para o mercado norte-americano ficaram de fora da sobretaxa de 25%.

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A avaliação é do economista e diretor da Agricon Consultoria, Fábio Ferreira Júnior. Segundo ele, a participação dos Estados Unidos nas exportações sul-mato-grossenses é relativamente pequena, representando menos de 7% de tudo o que o Estado vende ao exterior.

Além disso, os três principais itens da pauta exportadora — carne bovina, ferro-gusa e celulose — foram isentos da nova tarifa. Entre janeiro e junho de 2026, Mato Grosso do Sul exportou mais de US$ 370 milhões para os Estados Unidos. Somente a carne bovina respondeu por mais da metade desse valor e, junto com ferro-gusa e celulose, concentrou mais de 87% das vendas ao mercado norte-americano.

Para Fábio Ferreira Júnior, a exclusão desses produtos da sobretaxa garante a manutenção da competitividade das empresas do Estado, preservando empregos, produção e faturamento. O economista destaca que apenas o sebo bovino foi incluído na tarifa, mas ressalta que o produto representa menos de 3% das exportações sul-mato-grossenses destinadas aos Estados Unidos, o que limita os impactos econômicos.

Apesar do cenário favorável, o especialista alerta que o episódio reforça a importância de reduzir a dependência de mercados específicos. Segundo ele, o Estado precisa aproveitar o momento para ampliar a diversificação dos destinos das exportações, fortalecer a industrialização e incentivar cadeias produtivas com maior valor agregado, tornando a economia mais preparada para futuras mudanças no comércio internacional.

A nova tarifa de 25% foi anunciada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que alegou a existência de práticas consideradas injustificáveis ou discriminatórias por parte do governo brasileiro. Entre os fatores apontados pelos norte-americanos estão questões relacionadas ao etanol, ao sistema de pagamentos Pix e ao combate ao desmatamento ilegal.

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