Dólar fecha em alta com pressão externa e mercado atento ao Fed e ao cenário político


Redação 15/09/2026

O dólar encerrou a sessão desta terça-feira (15) em leve alta diante do real, acompanhando o movimento da moeda norte-americana nos mercados internacionais. Durante o dia, a cotação oscilou entre R$ 5,1270 e R$ 5,1626 antes de fechar a R$ 5,1551, avanço de 0,14%.

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No acumulado dos dois primeiros pregões da semana, o dólar registra alta de 0,58%. Apesar do avanço recente, a moeda ainda acumula queda de 0,48% em setembro. Em agosto, havia subido 2,16%. No acumulado do ano, a baixa chega a 6,08%.

Um dos principais pontos de atenção dos investidores foi o comportamento do petróleo. O barril do Brent ganhou força durante a tarde e voltou a se aproximar dos US$ 110. A valorização aumenta as preocupações com a inflação internacional, especialmente às vésperas da decisão do Federal Reserve sobre os juros dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a alta do petróleo pode favorecer o Brasil por meio da melhora dos termos de troca, ajudando a limitar uma pressão maior sobre o real.

Mercado acompanha tensão no STF

O ambiente político também esteve no radar dos investidores. A sessão do Supremo Tribunal Federal que discutiu a possibilidade de abertura de investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, no contexto do caso Banco Master, foi marcada por divergências entre integrantes da Corte.

Durante a sessão, Gilmar Mendes questionou a atuação de André Mendonça na retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal. Mendonça rebateu as críticas. Os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques declararam-se impedidos de participar da análise do caso.

Segundo o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, a incerteza em torno do desfecho da discussão no STF mantém o mercado cauteloso, principalmente diante de possíveis reflexos sobre as expectativas para as eleições.

O ambiente político também passou a ser observado em conjunto com o comportamento do real. Na avaliação apresentada por Rostagno, os acontecimentos envolvendo o STF teriam contribuído para mudanças nas expectativas eleitorais e para a recuperação da moeda brasileira ao longo de setembro.

Juros nos EUA e no Brasil entram no foco

Além do cenário político e do petróleo, investidores aguardavam as decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro.

A expectativa mencionada no mercado era de uma elevação de 0,25 ponto percentual dos juros americanos, acompanhada por uma redução de 0,25 ponto na taxa Selic. Caso esse cenário se confirme, o diferencial entre as taxas brasileiras e americanas diminuiria, podendo reduzir a atratividade das operações de carry trade com o real.

O Rabobank também avalia que a combinação de juros domésticos e externos, fatores fiscais e o comportamento do dólar no exterior poderá influenciar o câmbio ao longo de 2026. Em relatório, o banco projetou a moeda americana em R$ 5,35 no fim do ano.

Dólar também avança no exterior

No mercado internacional, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas importantes, registrava alta de 0,26% por volta das 17h, aos 99,637 pontos.

A valorização do dólar ocorre em uma semana marcada também pela forte alta do petróleo. O Brent acumulava avanço próximo de 20% no mês, reforçando a preocupação dos investidores com possíveis efeitos sobre a inflação.

Banco Central atua no mercado de câmbio

O Banco Central realizou novamente uma operação conhecida como “casadão”. A instituição vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista e, simultaneamente, comprou US$ 1 bilhão em dólar futuro por meio de 20 mil contratos de swaps cambiais reversos.

A operação não busca estabelecer diretamente um determinado nível para a cotação do dólar, mas pode contribuir para melhorar as condições de liquidez e reduzir pressões sobre o chamado cupom cambial, que representa o custo dos recursos em dólar no mercado brasileiro.

Participantes do mercado também avaliam a possibilidade de novas operações do Banco Central para garantir liquidez caso a saída de recursos do país continue pressionando o mercado à vista.

Para alguns gestores, a combinação entre redução do estoque de swaps tradicionais e operações no mercado à vista indica que parte da pressão estaria concentrada no câmbio spot, e não necessariamente no mercado futuro.

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