Pecuaristas devem se preparar para período seco e frio no campo, alerta Embrapa


Redação 07/05/2026

Com a chegada do período entre maio e setembro, produtores rurais precisam redobrar a atenção com o rebanho devido às características típicas do inverno no campo, como baixa umidade do ar, escassez de chuvas, dias quentes e noites frias. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o planejamento antecipado é essencial para evitar perdas na pecuária durante a seca.

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De acordo com o pesquisador Luiz Orcírio Fialho de Oliveira, a redução da qualidade e da quantidade das pastagens afeta diretamente a alimentação dos animais, exigindo mudanças na dieta para evitar perda de peso e desnutrição do rebanho.

O especialista explica que o primeiro passo é avaliar a quantidade de forragem disponível na propriedade. Conforme estudos da Embrapa, durante a seca as pastagens produzem menos, chegando a cerca de 40% da produção anual nas cultivares de Brachiaria e apenas 20% nas cultivares de Panicum.

Além disso, o produtor deve calcular o número de animais que permanecerão na fazenda nesse período, já que a capacidade de suporte das pastagens também diminui significativamente. Pesquisas da Embrapa indicam a necessidade de redução da carga animal entre 30% e 50% para manter o ganho de peso dos bovinos.

Caso o pecuarista decida manter o número de animais, será necessário investir em suplementação alimentar, armazenamento de volumosos ou compra de insumos concentrados para garantir a nutrição adequada do rebanho.

Clima mais seco preocupa produtores

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a previsão para a região Centro-Oeste aponta chuvas abaixo da média e temperaturas até 1°C acima do normal nos próximos meses. Esse cenário favorece a redução da umidade do solo e pode comprometer o desenvolvimento das pastagens.

Para minimizar os impactos, a Embrapa recomenda a vedação de parte das pastagens entre 20% e 30% da área ainda no fim do período chuvoso, permitindo o armazenamento natural do capim para uso na seca.

Outra alternativa é o cultivo de forrageiras de safrinha, como Brachiaria, Panicum, milheto, leguminosas e aveia em algumas regiões do país. A produção de silagem e feno também aparece como estratégia importante para garantir alimento ao gado nos meses mais críticos.

No caso da silagem, o pesquisador reforça que ela deve estar pronta antes da seca, já que o material precisa permanecer armazenado por pelo menos 30 dias após o fechamento do silo antes de ser utilizado.

Já o feno, apesar de ser uma opção eficiente, exige equipamentos mais sofisticados e maior investimento, além de depender de condições climáticas adequadas durante o corte das gramíneas.

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