Dólar sobe e fecha no maior patamar desde março com tensão no Oriente Médio e cenário dos EUA

Redação 08/06/2026

O dólar comercial encerrou a sessão desta segunda-feira (8) em alta de 0,45%, cotado a R$ 5,1803, atingindo o maior valor de fechamento desde 30 de março de 2026. O movimento foi impulsionado pelo aumento da aversão ao risco no mercado internacional, diante das incertezas envolvendo o conflito no Oriente Médio e das expectativas de juros elevados nos Estados Unidos por um período mais longo.

✅Siga no Instagram @portaldenoticiasms

Após iniciar o dia em queda e atingir a mínima de R$ 5,1335, a moeda norte-americana inverteu o movimento e chegou à máxima de R$ 5,1951 ainda durante a manhã. No mercado futuro, o contrato para julho também registrou valorização, sendo negociado próximo de R$ 5,21 no fim da tarde.

A escalada ocorreu em meio a novos relatos de ataques entre Irã e Israel, aumentando a percepção de que o cessar-fogo anunciado recentemente é frágil. O ambiente de incerteza levou investidores a buscar ativos considerados mais seguros, favorecendo o dólar.

Outro fator que influenciou o mercado foi a divulgação do payroll dos Estados Unidos na semana passada. A criação de empregos acima das expectativas reforçou a avaliação de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo ou até promover novos aumentos em 2026, tornando os títulos americanos mais atrativos para investidores globais.

Segundo analistas do mercado financeiro, esse cenário reduz o interesse por operações de carry trade, estratégia que busca ganhos com diferenças de juros entre países, o que tende a pressionar moedas de mercados emergentes, como o real.

Além disso, cresce a percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) terá menos espaço para reduzir a taxa básica de juros no Brasil, aumentando as incertezas sobre a política monetária doméstica.

No mercado de commodities, o petróleo Brent para agosto avançou 1,25%, encerrando o dia cotado a US$ 94,25 por barril, refletindo as preocupações com possíveis impactos do conflito na região do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo.

Especialistas também avaliam que o forte desempenho da economia americana pode fortalecer novamente o chamado “excepcionalismo dos Estados Unidos”, reduzindo o fluxo de investimentos para outros mercados e contribuindo para a valorização do dólar frente a diversas moedas, incluindo o real.

Compartilhe