Dólar dispara e Bolsa despenca 2,5% em meio a incertezas no Brasil e tensão no Oriente Médio


Redação 11/08/2026

O mercado financeiro brasileiro teve uma sessão de forte aversão ao risco nesta terça-feira (11). O dólar comercial subiu 0,98% e terminou o dia cotado a R$ 5,1606. Já o Ibovespa recuou 2,50%, aos 167.875 pontos, registrando o pior desempenho diário desde março.

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A pressão sobre os ativos brasileiros veio principalmente das incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e à trajetória dos juros no país. No exterior, a tensão envolvendo Irã e Estados Unidos e as dúvidas sobre a retomada do tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz também aumentaram a preocupação dos investidores.

O Ibovespa acumula queda de 5,77% em agosto, embora ainda mantenha alta de 6,86% no acumulado de 2026. O dólar, por sua vez, avançou 1,52% na semana e 1,80% no mês, mas permanece com desvalorização de 5,98% no ano.

Um dos fatores que pesaram sobre a Bolsa foi um relatório do JPMorgan, que revisou sua avaliação sobre o mercado brasileiro. A instituição retirou a recomendação de desempenho acima da média e passou a adotar uma posição neutra. A projeção para o Ibovespa no fim do ano também foi reduzida de 190 mil para 185 mil pontos.

Entre os principais riscos apontados pelo banco estão a possibilidade de interrupção do ciclo de redução da Selic após setembro e os impactos que as eleições de outubro podem provocar sobre os investimentos.

Inflação e juros

Os investidores também acompanharam os novos dados de inflação e a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

O IPCA registrou alta de 0,07% em julho, após avanço de 0,16% em junho. Em 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,44%, acima do centro da meta de 3%, mas ainda dentro do intervalo permitido.

Na última semana, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Agora, o mercado avalia se a autoridade monetária terá espaço para continuar reduzindo os juros nas próximas reuniões.

Na ata divulgada nesta terça-feira, o Banco Central afirmou que poderá agir de maneira firme caso uma eventual alta e maior volatilidade dos preços do petróleo provoquem efeitos significativos sobre a inflação brasileira.

Petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz

No cenário internacional, o petróleo voltou a subir diante do impasse entre Irã e Estados Unidos sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas utilizadas para o transporte mundial da commodity.

O governo iraniano apresentou condições para permitir a retomada da passagem de embarcações, incluindo o fim do bloqueio naval e das sanções norte-americanas, a retirada de tropas dos Estados Unidos da região e a liberação de ativos iranianos congelados.

O presidente Donald Trump rejeitou a exigência de indenizações apresentada pelo Irã. Com o impasse, permanecem as incertezas sobre quando o transporte comercial pela região será normalizado.

O barril do Brent subiu 1,39%, para US$ 88,94, enquanto o WTI avançou 1,16%, chegando a US$ 83,08.

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