Justiça afasta direção da Santa Casa e impede retorno de ex-presidente ao cargo


Redação 24/09/2026

A decisão judicial que determinou o afastamento imediato da cúpula da Santa Casa de Campo Grande ocorreu apenas um dia depois do anúncio da recondução do ex-presidente Heitor Rodrigues Freire ao comando da instituição. Com a medida, ele não chegará a reassumir oficialmente a presidência do hospital.

A determinação foi assinada pelo juiz de direito Eduardo Lacerda Trevisan e alcança integrantes da diretoria corporativa, do Conselho de Administração e a supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same). A unidade hospitalar passará a ser administrada provisoriamente.

Heitor Rodrigues já integrava o Conselho de Administração da instituição e havia assumido a presidência da Santa Casa pela primeira vez em setembro de 2020. Ele permaneceu na função até 2023, quando uma mudança de última hora impediu sua continuidade no cargo.

Crise financeira e apurações

Na decisão, o Judiciário considera o cenário enfrentado pela instituição mesmo após um acordo firmado no Centro de Autocomposição do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Compor/MPMS).

O acordo previa aportes financeiros por parte dos entes públicos, além de obrigações que deveriam ser cumpridas pela Santa Casa, incluindo a comprovação da utilização dos recursos para o pagamento de médicos e a manutenção dos serviços de assistência hospitalar.

Apesar das medidas adotadas, a situação da instituição ainda é apontada como não resolvida.

A Santa Casa é descrita no contexto da decisão como estando em uma crise financeira de grandes proporções. Entre os problemas mencionados estão suspeitas de uso inadequado de recursos públicos, crescimento da folha de pagamentos, aumento de despesas e dificuldades nas áreas financeira, contratual e de gestão de pessoal.

Quem foi afastado

A determinação judicial alcança integrantes de diferentes setores da estrutura administrativa da Associação Beneficente de Campo Grande.

Entre os nomes afastados estão:

  • Heitor Miguel Scheibeler, presidente em exercício e conselheiro;
  • Ivan Araújo Brandão, vice-presidente e conselheiro;
  • Valdir Osvaldo Júnior, diretor-secretário e conselheiro;
  • Marcos Alceu da Silva Villalba, diretor de finanças;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor de finanças adjunto e conselheiro, que já estava afastado cautelarmente por prisão preventiva;
  • Rinaldo Hakme Romano, diretor administrativo financeiro;
  • Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo;
  • João Nelson Lyrio, diretor financeiro adjunto e conselheiro;
  • Luiz Jorge Bossay, secretário adjunto e conselheiro.

O afastamento também atinge outros integrantes do Conselho de Administração, entre eles Arly Rosa Serra, Helio Gustavo Bautz Dallacqua, Levi Marcos Gomes da Cruz, Sidney Roberto Rivas, Carlos Ricartes de Oliveira, Mario Antônio Cavinatto de Mello, Sandra Regina Ferreira e Onésio Bueno de Freitas.

Também foi incluída na decisão Monique Gregório de Oliveira, supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), que já havia sido afastada cautelarmente em razão de prisão preventiva.

Medidas impostas pela Justiça

Além do afastamento, a decisão estabelece restrições à atuação dos integrantes retirados dos cargos. Eles ficam impedidos de participar de novas eleições para a diretoria e também não poderão acessar as dependências da Santa Casa.

A proibição inclui as estruturas da instituição localizadas fora de Campo Grande, como a unidade de Dourados.

Segundo a determinação, a restrição busca preservar documentos físicos e digitais, arquivos, sistemas, dados, registros contábeis e financeiros, além de outros elementos considerados relevantes para as investigações e para o processo de reorganização administrativa.

A decisão também impede que os afastados permaneçam ou exerçam qualquer tipo de gestão, atuação ou interferência nas atividades da instituição durante o período determinado pela Justiça.

 Grupo de gestão pá Provisória 

Com o afastamento da atual estrutura administrativa, a Santa Casa ficará sob gestão provisória do médico Luiz Alberto H. Kanamura.

Curiosamente, ele havia sido apresentado como novo superintendente hospitalar justamente no mesmo contexto em que foi anunciada a recondução de Heitor Rodrigues à presidência da instituição.

A medida judicial, portanto, altera de forma imediata a composição da administração da Santa Casa e impede que a recondução anunciada anteriormente seja efetivada.

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