Greve da Caixa atrasa financiamentos imobiliários e afeta obras do Minha Casa, Minha Vida

Redação 26/09/2026
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal começa a gerar impactos no mercado imobiliário, principalmente nas vendas que dependem de financiamento. A paralisação interfere em etapas importantes do processo de concessão de crédito, que envolvem desde a abertura de contas e entrega de documentos até a análise e aprovação dos financiamentos.
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Os correspondentes bancários, que não aderiram à paralisação, continuam recebendo documentos e dando entrada nos processos. No entanto, a aprovação e a conclusão do crédito dependem das equipes próprias da Caixa, o que tem provocado acúmulo de operações.
O efeito é ainda mais significativo no Minha Casa, Minha Vida. Nesse segmento, as construtoras encaminham os compradores para o financiamento bancário logo após a assinatura do contrato de compra e venda do imóvel, muitas vezes ainda durante a construção. Sem a conclusão dessa etapa, a venda não é efetivada e os recursos não são liberados para as empresas.
Segundo o especialista em crédito imobiliário e ex-vice-presidente de Habitação da Caixa, José Urbano Duarte, o fim da greve não deve representar uma normalização imediata. A expectativa é de que haja um grande volume de processos acumulados e que a regularização ocorra de forma gradual.
Outro ponto afetado é o repasse de recursos para obras que já possuem financiamento contratado. As construtoras recebem os valores de acordo com o avanço físico dos empreendimentos. Para isso, é realizada uma medição da obra, seguida de uma análise interna da Caixa antes da liberação do dinheiro.
“Os impactos são na veia. Machucam muito a geração de caixa da nossa empresa e do setor como um todo”, afirmou Anderson Lopes Morais, diretor comercial da BRZ Empreendimentos.
A empresa calcula que a paralisação tenha provocado um impacto de aproximadamente R$ 24 milhões em seu fluxo de caixa. Desse montante, R$ 17 milhões correspondem a 196 apartamentos vendidos cujos contratos de financiamento permanecem pendentes. Outros R$ 7 milhões estão relacionados a recursos de obras de 14 empreendimentos que aguardam a realização das medições.
Diante do cenário, a empresa informou que deve priorizar o pagamento dos funcionários e negociar com fornecedores novos prazos para os pagamentos de serviços e materiais.
O impacto também varia de acordo com a região. Em cidades do interior, onde há menor número de agências bancárias, a paralisação pode comprometer praticamente todas as operações presenciais. Nas capitais, por outro lado, a existência de mais unidades permite que parte dos serviços continue sendo realizada.
Caixa adota medição remota de obras
Com a continuidade da greve, a Caixa comunicou às construtoras que passaria a realizar, temporariamente, a medição dos canteiros de forma remota. As empresas enviam as informações por meio de uma planilha preenchida online, permitindo que o procedimento avance enquanto durar a paralisação.
A medida já havia sido utilizada durante a pandemia de Covid-19. Para José Urbano Duarte, a alternativa pode ajudar a reduzir os impactos sobre a liberação dos recursos destinados às obras.
Mesmo com o mecanismo remoto, porém, o setor ainda deverá enfrentar o acúmulo de processos provocado pela paralisação. Após o encerramento da greve, os técnicos deverão retomar as medições presenciais nos empreendimentos.
A Caixa não havia informado, até o fechamento da reportagem, quantas agências permaneciam fechadas em razão da greve.


